
Mais uma noite em seu quarto ela novamente repensou a vida.
Puxou debaixo do travesseiro o velho caderno, companheiro de desabafos noturnos, e pensou em descarregar suas angústias ali.
Mas, antes que seus pensamentos tomassem conta de mais uma folha, ela decidiu fazer diferente.
Retornou algumas páginas, releu textos antigos e anseios que ainda não mudaram. Objetivos que continuam ali, somente escritos em uma folha de papel.
Relendo, as lágrimas brotaram em seus olhos. O relógio marcava 3h23 da madrugada, quando ela se rebelou.
Escutar os ‘tic-tacs’ dos ponteiros a fez perceber que a vida está passando, e rápido. Que de nada adiantava esperar as noites para escrever sonhos no papel.
A tortura por respostas para o que não havia acontecido durou até o amanhecer, quando o sono veio e a forçou fechar os olhos.
Quando despertou tudo em sua volta continuava no mesmo lugar. Nesse momento ela percebeu que se não mudasse tudo continuaria assim, sem progresso.
E para quem reclamar dos sonhos que não foram alcançados por falta de tentativas?
Chorar nunca resolveu. Revolta também não adiantaria. Ter esperança poderia ajudá-la a construir paredes mais sólidas para que seus sonhos não se desmoronassem facilmente.
E assim aliada à fé, esperança e a perseverança, ela levantou, vestiu seu melhor traje – como se fosse uma armadura – e caminhou rumo aos seus sonhos.
Irinéa Donizete